O Paraná ainda não registrou o caso da doença em humanos, mas a recomendação é que a população se vacine

Foto: Valdecir Galor/SMCS

Os exames realizados pela Secretaria Estadual de Saúde do Paraná (SESA) nos macacos mortos em Antonina, no Litoral do Paraná, confirmaram a existência do vírus da febre amarela no estado. Embora ainda não tenha sido registrado nenhum caso da doença em humanos no Paraná,  a SESA já havia solicitado a intensificação da vacinação, pois as cidades de São Paulo que fazem divisa com o estado já tiveram doze casos de febre amarela em humanos, incluindo seis mortes, além de 32 casos em investigação.

Em Curitiba, a Secretaria Municipal de Saúde está ofertando a vacinação em 110 unidades básicas de saúde, de segunda a sexta-feira, de acordo com o horário de funcionamento da sala de vacinas de cada unidade. Precisam ser vacinadas todas as pessoas entre nove meses e 59 anos, onze meses e 29 dias, que nunca tomaram nenhuma dose da vacina. A SESA orienta que as pessoas se vacinem o quanto antes, pois a imunização só é efetivada depois de 10 dias.

Fechamento de parques estaduais
Como medida de prevenção, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) fechou para visitação as Unidades de Conservação Estaduais do Litoral por um período de 15 dias. Você encontra a lista dos parques neste link.

Dúvidas sobre a vacinação

Quem deve se vacinar em Curitiba?
Pessoas a partir dos 9 meses até os 59 anos de idade devem tomar uma dose da vacina, que tem dose única. Quem já tomou esta vacina uma vez na vida não precisa refazer.

Onde tomar a vacina e quais os documentos necessários?
A vacina é ofertada gratuitamente em 110 unidades de saúde de Curitiba. Basta procurar preferencialmente seu posto de saúde de referência, apresentando documento de identificação e carteira de vacinação.

Como se prevenir da febre amarela?
Além da vacinação, é importante combater o vetor (mosquito) que transmite o vírus da doença, evitando áreas de mata com registros de febre amarela. O uso de repelentes em áreas de mata também é indicado.

Quem não pode ser vacinado?
• Crianças com menos de 9 meses de idade;
• Paciente com reação de hipersensibilidade grave a algum componente da vacina;
• Paciente que utilizam medicamentos biológicos, como Infliximabe, Etanercepte, Golimumabe, Certolizumabe, Abatacept, Belimumabe, Ustequinumabe, Canaquinumabe, Tocilizumabe, Secuquinumabe, Natalizumabe, Vedolizumabe e Rituximabe;
• Pacientes que utilizam medicamentos imunossupressores, como ciclofosfamida, ciclosporina, tacrolimus, azatioprina, micofenolato, tofacitinibe;
• Pessoas com história pregressa de doença do timo (miastenia gravis, timoma).

Quem deve passar por avaliação médica antes de ser vacinado?
• Gestantes;
• Pessoas com mais de 60 anos de idade;
• Mulheres amamentando bebês com menos de seis meses de idade;
• Pessoas que são HIV positivo ou têm Aids;
• Pessoas com imunodepressão por doença ou em tratamento com medicamentos imunossupressores;
• Pessoas com doenças autoimunes, como lúpus, doença de Addison e artrite reumatoide;
É necessário que essas pessoas passem por uma consulta médica, em que será feita a avaliação levando em conta o risco de contrair a doença e o risco de possíveis eventos adversos da vacina. Caso o médico autorize a vacinação, ele deve prescrevê-la.

Para pessoas dos grupos em que a vacina é contraindicada, como proceder?
Recomenda-se que outras medidas de proteção individual sejam adotadas, como usar repelente de insetos na pele e nos ambientes; proteger a maior extensão possível da pele com roupas; evitar, na medida do possível, o deslocamento para áreas rurais e, principalmente, entrar em matas a trabalho ou turismo; passar o maior tempo possível em ambientes refrigerados, com portas e janelas fechadas e/ou protegidas por telas com trama adequada, que impeçam a passagem de mosquitos, além de dormir sob mosquiteiros.

Macacos transmitem a febre amarela para os humanos?

Não. Assim como os humanos, os macacos são primatas e as principais vítimas do mosquito transmissor da febre amarela. A transmissão ao ser humano ocorre quando o mosquito se infecta ao picar um animal infectado e depois vai picar o homem. Encontrar grupo de macacos mortos é um sinal de alerta: provavelmente naquela região há circulação do vírus em mosquitos infectados.

O que é a febre amarela?

A febre amarela é uma doença sazonal, geralmente, com aumento de casos entre dezembro a maio. No ciclo silvestre da febre amarela (cujos casos têm sido registrados recentemente no país), a transmissão é feita pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes, sendo os macacos os principais hospedeiros e possíveis amplificadores.

O homem participa como um hospedeiro acidental ao adentrar áreas de mata. A transmissão ao ser humano ocorre quando o mosquito que picou um macaco infectado também pica o homem.

No ciclo urbano, o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão ocorre a partir de vetores urbanos (Aedes aegypti) infectados. Desde o ano de 1942, não há notificação no país de casos de febre amarela urbana no Brasil.

Não há transmissão de febre amarela de pessoa a pessoa. O período de incubação varia de três a seis dias, embora se considere que possa se estender até 15 dias.

Clinicamente, a doença apresenta sintomas em duas fases:
1ª Fase – Período de infecção: Em geral, com sintomas mais leves, como febre, calafrios, dores pelo corpo, prostração, náuseas e vômitos, comum a várias outras doenças. Cerca de 90% dos pacientes têm melhora progressiva. Mas, o restante evolui para a segunda fase, que pode iniciar até dois dias depois.
2ª Fase – Período tóxico: A febre volta a aparecer e compromete vários órgãos, principalmente, o fígado e os rins. Nessa fase, é provável que as pessoas desenvolvam icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos, daí o nome “febre amarela”), urina escura e dores abdominais com vômitos.

Neste link, você encontra os endereços das unidades de saúde de Curitiba.