Semanada e Mesada são importantes ferramentas para a educação financeira de crianças e adolescentes

Por Milu Ramiro

Eu tenho total convicção de que todo o aprendizado de organização e criação de hábitos, quando se começa ainda na infância, oferece resultados muito mais satisfatórios e naturais. Nessa linha acredito também na organização e educação financeira. Temos – eu e minha parceira Celi Piernikarz – uma palestra sobre o tema, voltada para os pais, onde mostramos formas de apresentar o dinheiro para crianças bem pequenas, menos de três anos. Os pais amam esse aprendizado. Bom, mas isso é tema para outro artigo. Hoje, quero refletir um pouco sobre a semanada e a mesada.

A educação financeira deve ser atrelada a todos os ensinamentos que oferecemos a nossos filhos, deve ser vista apenas como mais um item da educação. Assim, como devemos ensiná-los desde cedo a guardar suas coisas no lugar certo, que devem tomar banho todos os dias, que devem respeitar os mais velhos, etc, etc, devemos ensinar também o valor do dinheiro, como realizar sonhos poupando dinheiro, como não ser um consumista inconsequente, etc. Claro que tudo isso deve ser ensinado com teorias e práticas e, principalmente, com exemplo dos pais.

Uma excelente forma de ajudar seu filho e sua filha a tomarem conta do que ganham é dando a eles a semanada e a mesada. Aí, você pode estar pensando: “Como saber quando dar a semanada e a mesada?” “Qual o valor que posso dar?”. Esse assunto gera muitas dúvidas. Mas, vamos lá, vou te dar algumas dicas.

Alguns pais têm dúvida de quando podem começar a introduzir o aprendizado financeiro por meio da semanada e mesada. Não existe uma idade exata, depende da maturidade das crianças. O que recomendo é que se inicie quando a criança já pede dinheiro para comprar coisas, como lanche na escola, figurinhas e coleções, entre outros. Nessa fase, normalmente depois dos 7 ou 8 anos, ela já tem condições de lidar com o seu próprio dinheiro e deve receber a semanada por ser tempo menor, pois crianças controlam melhor seu tempo por conta da escola, regulam o tempo pelo fim de semana.

Semanada
A semanada deve ser vista pelos pais como instrumento de educação financeira, portanto, é importante criar as regras e conversar com os pequenos a respeito.

– Eles devem receber sempre no mesmo dia, normalmente, no domingo ou segunda.
– Devem ter claro que receberão somente esse valor para as suas despesas, se acabar antes do fim da semana não receberão mais. Assim, irão precisar aprender a controlar, comprar somente o necessário.
– É importante que os pais orientem e auxiliem a que guardem uma parte desse valor logo que recebem a semanada, para que possam comprar algo mais caro no futuro, realizar algum sonho (tênis novo, jogo de vídeo game, um livro, etc).
O valor da semanada, outra dúvida dos pais, é muito relativo. É importante que os pais avaliem com os filhos o que gastam durante a semana, para que possam ter uma média do valor, que deve estar dentro do padrão da família e não no padrão da família dos amigos.

Mesada
Segue os mesmos padrões da semanada. Pode ser iniciada na pré-adolescência, deixando claro que é um marco de responsabilidade. Deve ser paga somente uma vez por mês, evitando complementos no meio do período, porque esse deve ser um aprendizado para a vida futura, quando o jovem já estará no trabalho e não irá receber um vale toda vez que acabar o dinheiro.

IMPORTANTE
– Os pais devem ajudar a anotar os gastos mensais para que os pequenos aprendam a controlar as finanças. Planilhas financeiras ajudam muito. No livro “Quem mexeu na Minha bagunça?” desenvolvemos uma planilha especificamente para crianças, com os gastos habituais feitos por elas

– A semanada e a mesada devem ser vistas com uma ferramenta de educação financeira, não devem ser atreladas a serviços feitos em casa, como arrumar a cama, passear com o cachorro, lavar a louça, etc. Isso faz parte da divisão de tarefas de todos os que compartilham a casa, não deve ser remunerado.

– Importante que os pais acompanhem os filhos no gasto desse dinheiro, ajudando no início. Mas, é importante também que os deixem caminhar sozinhos, mesmo que se “atrapalhem” um pouco. Frustração e arrependimento fazem parte do aprendizado.


Marilucia (Milu) Ramiro é jornalista, palestrante e escritora especialista em orientação e desenvolvimento profissional de jovens. É autora do livro “Quem Mexeu na Minha Bagunça?”, em parceria com a psicóloga Celi Piernikarz, e sócia de um projeto com o mesmo nome, voltado ao desenvolvimento do hábito da organização de alunos, pais e educadores.