Embora seja conhecido pelas suas grandiosas obras,  Ai Weiwei também possui trabalhos como fotógrafo e cineasta

Imagem de um trecho do documentário “Sunflower Seeds”, que mostra a composição da obra homônima também presente na exposição. Foto: Divulgação

O artista chinês Ai Weiwei é conhecido pelas grandiosas obras, que causam impacto pelo tamanho e pela mensagem de protesto sempre presente. Mas o seu trabalho como fotógrafo e cineasta também pode ser visto na exposição “Ai Weiwei Raiz”, em cartaz no Museu Oscar Niemeyer (MON).

Na instalação “258 Fake”, 12 monitores exibem simultaneamente 7.682 fotos digitais num arranjo temático. Os visitantes são confrontados com uma sucessão de snapchats: o artista cortando o cabelo de alguém com uma tigela, um gato de olhos bem abertos, um prato de comida e destroços do terremoto de 2008 que devastou Sichuan.

A rapidez da rotação das imagens – quatro segundos para cada – reflete a instantaneidade e a efemeridade das experiências no mundo da fotografia digital e das redes sociais. Tais imagens foram criadas por Ai Weiwei entre 2003 e 2011 e publicadas inicialmente em seu blog, fechado pelas autoridades chinesas em 2009, e nas redes sociais.

Vídeos
A exposição conta também com 15 vídeos produzidos entre 2003 e 2018. Entre eles estão “Calais”, trecho do documentário “Human Flow – Não Existe Lar se Não Há para Onde Ir”; “The Art of Dissent”, que revela o processo de elaboração da polêmica obra “Panda to Panda”, e “Sunflower Seeds”, sobre a obra homônima.

Também compõe a seleção de vídeos o curta “A Tree”, produzido no Brasil em 2017. O documentário mostra o trabalho de moldagem de uma árvore de pequi com mais de 30 metros de altura e 1.200 anos de idade, elaborado por uma equipe de chineses e brasileiros, no litoral da Bahia.

A carreira de Ai Weiwei como cineasta inclui, além dos vídeos que estão em cartaz no MON, os documentários “Never Sorry – Sem Perdão”, de 2013; “Idomeni”, de 2016, e o mais notório: “Human Flow – Não Existe Lar se Não Há para Onde Ir”. Este foi produzido ao longo de um ano, período em que Ai Weiwei acompanhou crises de refugiados em 23 países, incluindo França, Grécia, Alemanha, Iraque, Afeganistão, México, Turquia, Bangladesh e Quênia. Como diretor, retrata as causas que levam milhões de pessoas a abandonarem seus países de origem, como a guerra, a miséria e a perseguição política, refletindo-se sobre as dificuldades encontradas na busca por uma vida melhor.

A exposição
“Ai Weiwei Raiz” é a maior exposição da carreira do artista, com aproximadamente 60 obras, e também a primeira dele no Brasil. Curitiba é a terceira capital brasileira que recebe a mostra.

Ai Weiwei é reverenciado como um dos grandes nomes da cena contemporânea mundial e notório devido ao interesse que demonstra pelas questões sociais e humanas. A exposição “Ai Weiwei Raiz” foi produzida por Marcello Dantas, que também assina a curadoria.

A mostra fica em cartaz até o dia 28 de julho. O horário do museu é das 10h às 18h, de terça a domingo. A entrada  custa R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada). Crianças com menos de 12 anos e idosos com mais de 60 anos não pagam ingresso. Nas quartas-feiras, a entrada é gratuita para todo o público. O endereço é Rua Marechal Hermes, 999 – Centro Cívico. Mais informações no site www.museuoscarniemeyer.org.br.