Saiba mais sobre o primeiro festival pagão a ser cristianizado

Altar de Yule: época representa esperança, é a promessa de que tudo vai melhorar. Yule nos estimula ater fé e acreditar que mesmo em terras inférteis é possível nascer lindas flores


Por Tânia Jeferson

O Solstício de inverno é um fenômeno astronômico que marca o início do inverno, quando o dia é o menor do ano e a noite é mais longa. Acabamos de celebrar este sabbath na última sexta-feira (21 de junho) para quem está no Hemisfério Sul do planeta.

O que é Yule e a diferença dos Hemisférios Norte e Sul?
Essa celebração está ligada ao solstício de inverno, então o Yule acaba tendo sua celebração em diferentes épocas do ano dependendo do hemisfério. No Norte, o Yule é celebrado a partir do dia 21 de dezembro, já no Hemisfério Sul ele é celebrado a partir do dia 21 de junho.

Yule foi o primeiro festival pagão a ser cristianizado, em 354 d.C., quando o nascimento de Jesus (originalmente no final de setembro) foi oficialmente transferido para o solstício de inverno e denominado Natal.

Os muitos costumes associados a Yule (velas, árvores decoradas, bolo de Natal, guirlandas, decorações com pinhas, troca de presentes, brindes e canções, máscaras, visco, “enfeitar o salão com maços de azevinho”, etc.) são todos pagãos e oferecem uma rica coleção de material para nossas celebrações contemporâneas.

Apesar de no Brasil termos o costume de dizer que trata-se do “primeiro dia de inverno”, a data por volta de 21 de junho simboliza o meio do inverno, ou seja, quando o inverno está no ápice. Tanto é que, originalmente, o nome é “middle-winter” (em inglês, meio do inverno).

O que Yule representa
A partir do solstício de inverno, o Sol se aproxima da terra e a escuridão do inverno ameaça ir embora. É quando a Deusa dá à luz seu novo filho, o Deus renovado e forte, ainda bebê.

Yule também é conhecido como o Festival das Luzes, por todas as velas acesas nessa noite.

Na antiga Roma, era chamado de Natalis Solis Invicti – “Nascimento do Sol Invicto” – e ocorria durante o festival mais longo da Saturnalia, o maior festival do ano, do qual herdamos a nossa imagem do Ano-Novo.

Se acendiam grandes fogueiras nessa festividade e dançava-se ao redor delas girando muitas vezes como uma forma de atrair as mudanças tanto internas como externas. Podemos ver aqui a semelhança com a festa de São João e os motivos pelos quais a igreja a determinou, ainda que de uma forma distorcida.

Na noite do Solstício de Inverno, o Deus nasce para a sua mãe virginal. Vale lembrar que o significado original da palavra “virgem” é bem diferente da sua conotação moderna, ou seja, a mulher que nunca teve relações sexuais. Esse termo originou-se do paganismo greco-romano, segundo o qual uma virgo intactus era uma mulher inteira e completa em si mesma. Ela não tinha necessidade de uma família para atingir a totalidade e era geralmente era uma sacerdotisa.

Para que celebrar?
Para nós do Hemisfério Sul, comemorar Yule nesta época do ano é controverso, uma vez que o ciclo das estações é invertido e parece que estamos celebrando o Natal seis meses antes.

No entanto, os Sabbats da Roda do Ano são um meio de se conectar com as grandes energias sazonais da Natureza ao nosso redor, e seria bem mais estranho comemorar Litha – Solstício de Verão (se seguíssemos a Roda do Norte) em pleno Inverno!

Celebrar o Solstício de Inverno é reafirmar a continuação dos ciclos da vida, pois Yule é o tempo de celebrar o espírito da Terra, pedindo coragem para enfrentar os obstáculos e dificuldades que atravessaremos até a chegada da Primavera.

É momento de contar histórias, cantar e dançar com a família, celebrando a vida e a união. E de se acender fogo – fogueira, velas – como elemento mágico capaz de ajudar o Sol a retornar para a nossa vida, corações e mentes.
Trazer toda essa representação para o nosso fortalece a nossa conexão com a mãe natureza e a cria a magia de sermos cada vez melhores.

INCENSOS: louro, cedro, pinho e alecrim.
CORES DAS VELAS: dourada, verde, vermelha, branca.
PEDRAS PRECIOSAS SAGRADAS: olho-de-gato e rubi.
ERVAS RITUALÍSTICAS TRADICIONAIS: louro, fruto do loureiro, cardo santo, cedro, camomila, sempre-viva, olíbano, azevinho, junípero, visco, musgo, carvalho, pinhas, alecrim e sálvia.

 


Tânia Jeferson é jornalista profissional, curiosa sobre os enigmas do universo desde sempre, conectada com a natureza, interessada em cristais, elementais e principalmente na evolução do ser. Estuda o Sagrado Feminino, participa do Círculo de Aine e ministra oficinas e palestras sobre o universo do tema. Acompanhe no Instagram: @heyamistica