Montagem do Grupo Galpão terá curta temporada no Guairinha

Foto: Divulgação

Nos dias 5 e 6 de outubro, o Guairinha recebe o espetáculo OUTROS, do Grupo Galpão. Esse é o mais recente trabalho do grupo mineiro e dá continuidade à parceria com o diretor Marcio Abreu, da companhia brasileira de teatro. As apresentações acontecem às 21h no sábado e às 19h no domingo. Nos dois dias haverá interpretação em libras. Os ingressos custam R$30 (inteira) e R$15 (meia) e estão à venda no site www.ticketfacil.com.br e na bilheteria do Teatro Guaíra.

Na montagem, o grupo foca na escuta, na busca pelo outro e aprofunda a reflexão sobre o hoje e o lugar do artista e da arte nos tempos atuais. O espetáculo é uma consequência do amadurecimento das dúvidas e inquietações contemporâneas trabalhadas na montagem de NÓS, de 2016. “OUTROS é exatamente a expressão desse momento nosso. É um desdobramento consciente do primeiro trabalho que fizemos juntos. É uma experiência criativa que aprofunda a pesquisa numa escuta social performativa, que se constitui dramaturgicamente valendo-se de percepções múltiplas do mundo e de como ele age sobre nós”, explica o diretor.

Segundo ele, OUTROS descreve trajetórias entre o cheio e o vazio, entre a insuficiência das palavras e a potência do silêncio, entre construção e ruína, entre os tempos, passado, presente e futuro e que busca interligar o artístico, o existencial e o político, reagindo à dureza e à violência desses tempos nossos quando a ignorância usada como arma sustenta um fascismo crescente e contra o qual precisamos lutar com as armas das linguagens, do amor, do erotismo e da consciência.

Durante o processo de pesquisa para a montagem, os atores e atrizes realizaram diversas leituras, como dos textos  “Frigorífico”, do francês Joel Pommerat, e “Os embebedados”, do russo Ivan Viripaev, que contribuíram para o direcionamento do trabalho e serviram de material, junto com outros exercícios, para a criação da dramaturgia, elaborada em conjunto por Marcio Abreu e os atores do Galpão, Eduardo Moreira e Paulo André. O caminho levou a uma estrutura dramatúrgica que foi além da extensão da palavra para conseguir expressar o que extrapola a fala, dando espaço e importância a outras formas de linguagem, como o silêncio, por exemplo.

O texto do espetáculo foi construído na sala de ensaio, a partir do material levantado em exercícios e performances de rua, individuais e coletivas, que trabalharam com questões de natureza privada no espaço público e vice-e-versa, propostas pelo diretor e pelos próprios atores, que participaram anteriormente de um laboratório sobre vivência de performance, ministrado pela atriz e performer Eleonora Fabião. Na performance coletiva, a simbólica mesa de reunião do Galpão saiu do espaço privado e foi passear pelo centro de Belo Horizonte junto com os atores e atrizes, que convidavam as pessoas para sentar, dividir seu tempo e história com eles. “É curioso pensar como esse trabalho nos permitiu voltar a uma modalidade de teatro de rua tão particular e distinta da que temos feito ao longo dos últimos vinte anos”, comenta Eduardo.

O processo da escuta, de enxergar o outro, a cidade e entender como essas vozes, corpos e imagens, na dimensão do espaço público, refletem em nós, foi o fio condutor desse trabalho. Essas experiências também foram traduzidas para a música, composta pelos próprios atores, que executam ao vivo em cena.

O Guairinha (Auditório Salvador Ferrante) fica na Rua XV de Novembro, 971 – Centro. Mais informações pelo telefone (41) 3304-7953, no site www.teatroguaira.pr.gov.br, na página do Facebook ou perfil do Instagram

Bate-papo
O Grupo Galpão fará ainda um bate-papo com o público no dia 5 de outubro, às 10h, no Ave Lola Espaço de Criação, com entrada gratuita. O endereço é Rua Marechal Deodoro, 1227 – Centro (esquina com Rua General Carneiro).